sábado, 22 de dezembro de 2012

Eu não sei nada sobre o amor. I


Eu não sei nada sobre o Amor. Mas eu sei que queria falar com alguém sobre ele. Eu também sei que tenho amigas que o procuram, tem alturas que o encontram e outras que fogem dele, aliás se repararem bem o Sexo e a Cidade é sobre moda mas muito sobre o amor e as várias situações em que ele nos põe.
Ou nós o procuramos e não encontramos, ou encontramos tarde. Ou não damos valor ao que temos, ou queremos muito ser mães e engravidamos do homem que não quer ser pai e não nos apoia, ou daquele que amamos ele ama-nos mas por razões profissionais, ou porque um deles naquele momento quer qualquer coisa mais da vida separam-se amando-se para depois encontrarem outro alguém. Mais tarde olhamos para ele com outra pessoa que podíamos ser nós. Mas existiu ali qualquer coisa que não resultou. E eu sou daquelas pessoas que não gosta de ficar com nada por dizer, tenho medo daquelas cenas de cinema de Hollywood em que estão os dois frente a frente, prontos a dizer que ficam um com o outro e por alguma razão, alguém fala primeiro com um discurso muito conformado da situação e o outro desiste de dizer o que na verdade querem os dois dizer. Muitas vezes temos atitudes só porque racionalizamos pensamentos e ideias e decidimos encarar tudo de forma muito correcta e conformada. Morro de medo de palavras que possam ficar por dizer. Então tento sempre dizer tudo, e pergunto tudo e repito. Isso não me trouxe menos desilusões mas deixa-me mais descansada comigo mesma.
Poderia contar milhares de situações em que vemos o amor escapar pelos dedos das mãos tal como infantilmente se tenta manter água nas mãos.
Contudo inspirada por este "frame" desta série fantástica lembrei-me! Que realmente nós mulheres somos muitas vezes masoquistas, queremos acreditar até ao fim numa mudança. 
Eu vejo uma mulher que é linda, elegante, bem sucedida, sorriso e cabelos bonitos, não é perfeita porque isso ninguém é. Mas é bonita. E é apaixonada por um homem que não a merece. Não a merece porque a trata mal e muito aquém do que ela realmente merece. Ela que é bonita, diz que quando está ao lado dele se sente feia e muito menos interessante que todas as outras mulheres. Quando ouvi isto fiquei muito preocupada. E pensei mas que se passa com as mulheres, sim nós fêmeas!
Ele não gosta de ti porque tu és feia, ele não diz que tu és oferecida porque tu és. Tu não és nada disso!
O que se passa é que ela não é feia e o homem não consegue entender como já acabou com uma mulher que todos dizem ser bonita e ele até acha que sim, mas para ele, existe outro tipo de beleza que o interessa mais. Ele ofende-te e diz que tu és oferecida, porque tu gostas tanto dele, que te dás a ele. E ele usa-te. E tu cansada usas também. Afinal já estamos tão baralhadas e a situação arrasta-se à tanto tempo que já não sabemos bem o que queremos, nem o que perseguimos mas há um sentimento confuso e momentâneo que nos motiva as acções.
A frase das amigas é ele não te merece!!! Cliché, pensa ela. E se ela for eu, ainda pensa:Podem estar a dizer-lhe exactamente o mesmo, eu não o mereço.
Se for a amiga também tenho esse pensamento, mas normalmente guardo-o para mim(por mais crua e directa que seja, eu própria não tenho explicação para esta pergunta/pensamento)
Uma coisa é certa o facto de não se gostar de determinada pessoa não é porque ela seja mais inteligente ou menos bonita ou menos isto e aquilo. Eu acredito que há pessoas que se "encaixam" que se identificam que encontram, equilíbrios e isso não acontece à primeira tentativa ou muito raramente e também leva tempo a funcionar. 
Eu acho sempre importante lembrar que nós provavelmente não seríamos A pessoa que o outro procura, até podemos vir a ser, mas aí se calhar já não é ele para nós. Relógios que não estão certos.




Texto escrito em Abril de 2012 e por alguma razão ficou guardado nos rascunhos deste blog, não queria passar por 2012 sem que ele fosse publicada. Não faço ideia porque não o publiquei na altura...talvez não fosse apropriado...

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